quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Lilith, entre os Céus e os Infernos ...









A maioria dos interessados em misticismo, estão familiarizados com o peso e temerosidade depositados na figura de Lilith. Informações felizmente encontradas em ruínas, proporcionaram uma melhor compreensão da suposta rainha dos "infernos", o majestoso achado, a grande biblioteca de Assurbanipal, clareou as mentes daqueles que viam Lilith de uma maneira nociva, nos esclarecendo sua origem no culto de Inanna e sua posição como a grande Sacerdotisa de seu templo, tendo o título de : A mão de Inanna. Obviamente, ser a mão, as atitudes terrenas de uma Deusa da terra, fertilidade que podemos comparar com a Gaia grega, é uma posição espiritual bem diferente das afirmações comummente encontradas em culturas recentes como a Hebraica ( Em relação a antiguidade da cultura Suméria).



Dentre seus títulos, encontramos um que exemplifica de maneira magnífica a atuação de Lilith, como a manifestação da Deusa da vida sobre a terra:


Lilith. A pomba sublime...


Essa era uma das formas de se denominar a Deusa Suméria dos ventos, sua condição relacionada a intercessão entre os homens e Deuses, um espírito divino que é responsável pela conexão entre a terra e os seres celestiais, encontramos também, o conceito de mensageira e executora de Inanna, pois, Lilith era responsável pelas ações ordenadas pela suprema Deusa da vida, como sua "mão" nesta realidade.



Lilith, a grande coruja negra:

Como Deusa da noite, a coruja é seu animal, nos remetendo a sabedoria oculta em seus gestos e os mistérios guardados pela noite, sendo uma Deusa guardiã da sabedoria sombria, pois, a mesma ressurgiu da morte, trazida por Ereshkigal, possuindo o conhecimento além do véu da vida.












A queda de Lilith:

Encontramos indícios do princípio das mudanças na esfera de atuação de Lilith, em alguns mitos Sumérios, onde eu pessoalmente enxergo um comportamento muito integro provindo dela. Há um mito, onde seu consorte, o Deus dragão das Tempestades Zu (Anzu), tentou roubar as tábuas do destino, artefato que permite controlar o universo e obter a soberania sobre ele, o mesmo é de posse de Anu, o supremo Deus dos céus. Zu foi sentenciado a morte pela corte Celestial e Lilith, não aceitou permanecer sem seu consorte e pediu aos Deuses que destruíssem seus corpos e prendessem seus espíritos numa Figueira ( Árvore ligada ao culto de Lilith), Ela, arquitetou um plano, onde através de sua magia, fez as raízes da figueira crescerem até a Casa dos Mortos, Reino de Ereshkigal, depois de muitas adversidades, ela consegue promover um trato com a Deusa do Submundo, ela proporciona a ressurreição de Lilith e Zu, permanecendo como Deuses da vida e da morte, com a condição de resolverem alguns fardos relacionados a Ereshkigal e Nahemah, sua irmã.



A ave noturna de Hullupu:


A maior questão que desencadeou a "demonização" de Lilith, está nas traduções do Sumério Cuneiforme, colocando-a como a ave noturna que tinha seu ninho feito no tronco da mítica árvore Suméria. Esse mito aparece no épico de Gilgamesh, confundindo Lilith com a ave "ki-sikil-lil-la-ke".


O culto de Lilith, sobre a figura da imagem de Ereshkigal, foi muito comum entre os povos Mesopotâmios, seus escravos, logicamente, viam com um teor maligno, os Deuses de seus escravagistas.


Comportamento Lilithiano:



A Deusa dos ventos, Lilith, sendo a conexão entre-mundos e regente das bençãos da terra, suas capacidades ligadas entre as propriedades físicas e celestes, nós dá a noção de suas características psicológicas através de seus atributos, nos mostrando sua mentalidade adaptativa e comportamento volátil. Possuindo o dualismo-comportamental bem expresso na maneira de agir dos Deuses Sumérios, sendo bons ou ruins a medida da necessidade, encontramos Lilith entre a luz e a escuridão, sendo o elo entre as duas polaridades, o eixo neutro e estabilizado entre as potências energéticas.

Em seu culto, encontramos uma forte ligação entre Lilith e a Lua nova, mostrando o conceito de reconstrução e endo-visão, o momento do Eclipse é o auge do que podemos exemplificar como o grande equilíbrio entre os princípios de perpetuação da vida na terra, onde a luz solar é neutralizada pelo bloqueio da lua, nos proporcionando uma ideia de equilíbrio e ligação entre os mundos. Podemos conotá-la de maneira psicológica e afirmar sua ligação arquetípica com os reinos inconscientes, sendo uma força de interação entre as propriedades do físico e Celestial, podemos denominar sua existência como um simbolo da viagem as profundezas do ser, onde habitam nossos instintos mais profundos e o que há de mais primordial e puro, sendo a detentora e regente dos caminhos até nossa natureza Divina.


Lilith como uma Deusa dos ventos e noite, obviamente é a matrona dos espíritos ligados às mesmas propriedades naturais, portanto, os Assakus dos ventos e noite ( Casta de Deuses menores e espíritos ancestrais, criados ou elevados pelos Deuses da cultura Suméria) bons e ruins (dualismo comportamental) ou a mistura de ambos, são seus servos.

Um exemplo é Lamashtu : A maior entre os Assakus dos ventos,regente das doenças disseminadas pelo ar, uma Deusa-menor da morte, a mesma foi muito comparada com Lilith por muitas culturas, mas, originalmente é um espírito servo, seu culto foi elevado e muito disseminado na Babilônia.




















Carlos H. (Diabolus Constanzo)

@CarlosTheFool

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Confronto Noturno: Nos confins do abismo...








" Não quero morrer, é cedo demais, sinto-me vazia, vagando num Caos profundo, não há nada pra perceber, não consigo escutar, como se eu estivesse catatônica e flutuando numa realidade onde nada evoluiu, este é meu fim?"
( Pensamentos de Samira Mella'Beth )


Entre Lilith e Abaddon, a aliança abissal :

Lilith:

-Creio que tenha transportado minha serva para as profundezas de Edon, meu caro amigo Abaddon, espero que não se ofenda pela minha presença em seu reino, tenho uma fabulosa proposta para o senhor, Deus do Caos. Pelo desenvolvimento das ultimas ações, o senhor presumi sabiamente meus interesses...

Abbadon:

-Ainda não me desafia Lilith, envolve os mais poderosos espíritos em seus tortuosos planos para a dominação de todo o Edon, mas, sabe que não há como me deter, não há como ir contra mim e de maneira muito ardilosa, procura-me, para trazer o espírito de sua antiga Sacerdotisa de volta ao reino dos vivos, aquela que comungou com a escuridão eclipsal e foi tragada para as profundezas do meu reino.

Lilith:

-Não seria mais perfeito e eloquente, tenho interesses no regresso de minha Alta-sacerdotisa,através de Samira e sua ligação sanguinea com a Obscura, fundindo ambas as almas, para que retorne através de sua capacidade singular de abrir o portão de Daath, ainda é o Guardião?

Abaddon:
-Você me trará problemas com isso, Lilith. Os Guardiões da Ordem, viriam imediatamente, quando sentirem a minha vontade absoluta rompendo o selo. Espero que você tenha algo de meu interesse e possa contornar o confronto iminente que haveria com a abertura do portão.

Lilith:

- Estou com um dos raros fragmentos da esmeralda, que um dia pertenceu ao "Primeiro Caído", Admita a derrota num confronto contra mim e coloque sobre meus ombros a culpa de todo o acontecido, terei que vagar pelas profundezas para resgatar Samira e sua magna-ancestral, tranque o portão, após a minha entrada.
-Abbadon, em troca, lhe darei legiões de filhos para devorar, repovoarei seu reino com uma raça jamais vista, ficará mais forte e poderá futuramente, libertar-se dos grilhões que lhe trancafiam neste reino de sombras, terá sua liberdade, seu exército e uma fonte inesgotável de espíritos ao seu dispor.

Abbadon:

-Tentador, Deusa da noite, espero que cumpra sua palavra, pois, se eu for traído, não haverá nenhum lugar para se esconder...

Abbadon inicia a abertura do portão de Daath , entoando o cântico que foi ensinado a ele, pelo "Inominável senhor da eternidade", por um breve momento, aquela dimensão vazia vibrou com suas palavras e Lilith viu o selo cair, por um breve momento, parecia que estava tudo na mais profunda ordem e o plano nefasto dos senhores do limbo estaria dando certo, quando um inusitado ser aparece e perpetua as verdadeiras intenções da rainha da noite .
Belphegor, O senhor da sabedoria infernal, aquele que tudo sabe, porém nada faz, pela primeira vez desde seu exílio, põe a sua preguiça de lado e comete uma atitude que poderá mudar todo o Edon, com o selo rompido e o portão aberto, o senhor da preguiça lança sua autoridade sobre Abbadon e faz ele cair numa hibernação mística.
Lilith retira a Esmeralda fragmentada de sua testa e a parte em três, a primeira e maior parte, ela coloca em si mesma, com a segunda parte ela promove um encanto e oculta toda aquela situação, fazendo com que Abbadon esqueça tudo que se passou...

Lilith:

-Antigo soberano da paz, hoje como o senhor da preguiça, cumpro minha promessa e lhe dou parte do fragmento, nada aqui aconteceu, estamos combinados?

Belphegor:

-Dei-me o que é meu, estou cansado desse lugar, cansado da sua presença, quero regressar e continuar meu sono, espero que lembre-se de meu auxílio quando seus objetivos forem concretizados. Nunca pensei que chegaria tão longe Lilith, lembro-me como se fosse hoje, quando chegou ao Edon, ao lado de Heliel, trazendo consigo, Asmodeus, seu filho, todos ficaram curiosos para ve-la, a primeira a escapar de Saman, Saaman e Samangelaf, os executores da Ordem.
Não me perturbe mais, só me acorde, no dia de sua posse como a soberana de Edon...
Lilith:

-(...) Assim será, Belphegor...

Lilith adentra pelo limbo desconhecido por todos e quebra o encanto de abertura, trancando-se nos confins da inexistência, vagando pelo nada, utilizando das vibrações de sua esmeralda, buscando por Samira, num estado etéreo e sua sacerdotisa exilada, sua busca parece não ter fim, a esmeralda, que lhe dar poder para vagar numa dimensão tão perigosa e misteriosa, até para um Deus caído, está começando a perder sua energia e o corpo de Rouge Route, começa a sentir os efeitos promovidos pela permanência numa dimensão não-orgânica.
Lilith materializa uma esfera, outrora ocultada por sua magia, e fala através dela:

Lilith:

-Trodown, está preparado?

Trodown:

-Aguardando vossa ordem, minha rainha...

Lilith:

-Acione a sua invenção e conecte sua localização com a minha, rompendo as dimensões ...

Trodown, o gnomo banido de Elfame, encontrado por Samira, numa de suas aventuras por Edon, acolhido por Lilith, hoje, um fiel aliado , detentor de uma compreensão incomum sobre artes mágicas e uma tecnologia singular, fugindo dos padrões mágicos convencionais, comete uma atitude que fária o mais sábio dos magos admirar, ele abre uma brecha entre a realidade física com a dimensão mais profunda conhecida em todas as realidades...

Trodown no saguão do Bordel Sacrê Messaline:

-Brigith, proteja os presentes e a si mesma...

Quando o mecanismo é acionado, um som magnífico toma todo o lugar e torna-se cada vez mais intenso, provocando o desespero das cortesãs, todas correm para as costas de Brigith, a mesma, permanece em pé, e bate seu cajado , levantando um aura que reveste todo o Bordel.

Trodown:

-Divina Lilith, o vórtice está devidamente equilibrado, em instantes, a densidade do buraco de minhoca irá atrair os resquícios de magnetismo na estrutura sub-atômica de Samira, assim, trazendo-a em suas mãos...

Lilith:

- Não esperaria menos de você...


Lilith regressa ao bordel com Samira, num estado etéreo-mórfico, por permanecer muito tempo naquela dimensão e ter sido devorada por Abbadon. Trodown desativa sua "máquina" e a desintegra, garantindo que somente ele possa construir novamente. Lilith abandona o corpo de Rouge, e retorna ao seu estado etéreo, ergue Samira no ar e faz a a seguinte pergunta:

Lilith:

-Samira, conhece a verdade, sua ancestral está contigo, fundidas através de suas almas, pode lembrar tudo que ela presenciou nos confins da inexistência ?

Samira :

-Lembro-me pouco, mas, o suficiente para dar a senhora uma informação, uma espécie de recado...

Samira, faz surgir uma misteriosa energia negra e transmite as palavras que lhe foram passada:

Samira:


"Chegará a hora, tem minha benção, descendente de Tiamat, essa pequena fração de minha energia lhe dará o necessário para perpetuar sua ambição, está escrito, caso contrário, não seria assim, estou aguardando a ruína do equilíbrio... Inexisto e espero que faça o nada se tornar Shaitan novamente..."

Lilith:

- O inominável retornará !!!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Ódio e Buda ....

















Pai... Quem está lá fora, quem abunda minha consciência com toda essa violência? Estou corrompendo o templo que você consagrou, meu corpo vibra em ondas de guerra e corrupção , a tristeza me possuiu, o ódio age por mim.


Eu sou o senhor, sou sua extensão nesse mundo, sou parte de sua magnificência, eu fui um exemplo de equilíbrio, hoje não sou nada mais que gritos contidos numa esfera de pura energia feita pelos opositores da Ordem, parece confuso, como o Caos está me ajudando a não destruir, estão consumindo minha fúria , utilizando meus pensamentos como fonte de defesa, contra sua criação, seus filhos , meus irmãos , estão abandonando suas celas e vestindo grandes corpos de metais que absorvem a Divindade, corrompem a teia da realidade, alimentam-se das muitas faces de ti.

Os Deuses são extensões de sua grandeza, suas ações, muitos deles simplesmente não existem mais ou estão presos nos gigantes de metal devoradores da energia universal.


O que tem escrito em seu livro eterno? O meu desequilíbrio, a derrota de minha consciência e maestria sobre o Ser, é parte de suas palavras infinitas?

Estou confuso, ainda sei que me ouve, ainda sei que sou o senhor...

Está tão frio...

Sinto-me como uma besta acuada, como um tigre velho sem alternativa, apenas atacar é meu destino, defender o universo, defender o Ser, defender a mim, defender o Todo que sou ...
Pai ...
O ódio das eras está me consumindo, não irei mais deter essa face infinita, creio que esse seja o meu presente, meu momento, minha ultima tarefa nesta realidade, expandir minha consciência e abrir a porta para o grande Dragão, romper os grilhões forjados e encantados por seus pensamentos mais profundos, libertar a ausência da razão, sua face incontrolável, meu ódio, seu ódio....
Recitarei o mantra primordial, unirei o primeiro pensamento ao ultimo, O universo não terá mais portas, começo ou fim...
Serei Mente/Corpo/Espírito...
Homem/Deus ...

Arranco as pétalas da Lótus e consagro as escadarias de Nexus...
“ De fronte ao portão das eras, um olhar de puro ódio ascende na escuridão”
Ofereço minha alma, minha eternidade, a chave do portão das eras, saia Ódio primordial...

sábado, 8 de dezembro de 2012

Sr. intelecto :"O Megalopsiquiano entre dimensões"...





Psique é uma dimensão entre dimensões, constituída pela coesão de vibrações psíquicas derivadas de muitos planos, primariamente construiu o que vocês chamam de inconsciente coletivo, o acumulo de mistérios, ideias, energias e padrões que as limitações físicas não permitem que sejam percebidas pelas mentes trancafiadas pela alienação, limitações produzidas por séculos de dogmas que criaram grilhões que prenderam muitas civilizações no estado físico, transformando a transcendência em algo milagroso, oferecida pelas organizações que utilizam a vontade dos seres viventes num foco, manipulando tais energias para o benefício de suas vidas privilegiadas. A religião é a centralização das intenções pessoais que podem ser descentralizadas por aqueles que dominam a influência subliminar que domina a vontade e a projeta da maneira mais condicente que lhe vier em mente.




A Conjunção das informações e energias mentais, criaram um epicentro psíquico disforme e instável, com a evolução cronológica da existência, o universo e suas funções psico-fisiológicas tornaram-se mais poderosas e constantes, devido ao desenvolvimento natural dos planetas e energias cósmicas. Tudo nesse grande Multi-verso tem seu estado de consciência, se adapta a adversidades e as supera com algum tipo de atitude, logo possui um senso de raciocínio lógico em seus padrões. Os viajantes do Multi-verso, raças desprendidas de limitações sensoriais e maestros das potencias existenciais, devido a inexistência de padrões totalmente orgânicos em suas realidades, seres que tiveram suas respectivas gênesis em reinos onde a base vital era a energia e não a matéria.





O princípio dimensional de Psique, começa na grande corrida genética Universal, onde os mais variados cientistas de muitas realidades diferentes começaram a tentar sintetizar uma raça mestiça, unindo os padrões orgânicos e as características energéticas de suas respectivas naturezas, energia que daria uma consciência expandida e liberdade para essa casta que poderia transitar entre as realidades, por serem a união entre os fatores físicos e as energias inter-dimensionais. Tais criaturas foram depositadas nas colonias previamente selecionadas em diversos planetas no plano físico, seus criadores tinham uma restrita e monitorada comunicação com suas criaturas, através de encontros telepáticos e projeções, ensinando princípios básicos de sociologia,auto-conhecimento, desenvolvimento mental e quântico.




A Dimensão Psique surgiu com a instabilidade mental e corrupção da individualidade psíquica, derivada pela impossibilidade da maioria dos seres vivos de lidar com energias não procedentes de suas realidades orgânicas, logo, ocorreram uma infinidade de mutações e desastres, provindos de utilizações de capacidades meta-humanas sem o devido auto-controle, através desses eventos, surgiram várias sub-raças mutagênicas que hoje são considerados mitos, seres zoomórficos e linhagens humanas com aptidão para o que as pessoas conhecem como " Magia ", que nada mais é que a interação de sua consciência com energias latentes em sua integridade, permitindo-lhe intencionar mudanças e controlar padrões dessa realidade e de outras. Com todo o perigo desse descontrole, os cientistas tornaram-se temerosos e começaram a inocular Etéreo-parasitas nos ecossistemas para bloquear as funções mentais extremadas das suas criações e liquidar com os problemas que o descontrole promoveu, mas, com o decorrer do tempo sem suas capacidades originais, as criaturas começaram a emanar pulsares energéticos que transcendiam a realidade física e acumulavam entre as dimensões, numa parte denominada como "Limbo" ou "Vazio". Os cientistas captaram um padrão exoesqueletal sub-atômico formando-se entre as dimensões, nessas zonas inexistentes, ignoraram esse fato e continuaram o desenvolvimento dos seus projetos, enquanto a maioria das energias contidas pelos etéreo-parasitas eram jogadas entre as dimensões e formavam uma extensa rede psíquica que ligou todas as realidades e penetrou nas estruturas físicas e etéreas do Multi-verso, e com o tempo foi absorvendo as psico-emanações e tomando forma através dos conceitos desprendidos de limitações, formando existências alternativas dos diversos seres de toda a realidade, sintetizando sombras psíquicas, Realidades espelhadas em muitas outras realidades.



Sou o Sr. Intelecto, Um "Megalopsiquiano"."Inexisto" nessa realidade espelho, sendo tudo aquilo que é ocultado daquele que dita essas palavras, meu princípio é o Pensamento e todas as suas variações, sou uma consciência derivada das emanações imaginativas da minha fonte.
Nós estamos aqui, entre as realidades, nos meandros da mente universal, em cada célula orgânica, em cada onda quântica.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

A ultima Sacerdotisa. 2073 d.C











Estou voando na velocidade do som, transportei minha alma para esse android de preservação metafísica, não há como vencer os Cardeais, eles usurparam a tecnologia que provou a existência dos outros planos, comprovou a interação entre o corpo, mente e as forças que regem o universo, transformaram os dispositivos que foram criados por aqueles que definiamos como os místicos da nova era, os tecno-magos idealizadores de uma nova forma de pensar, as sociedades mágicas interpretaram essa invenção magnifica como um novo passo para a compreensão humana, onde, os bruxos, magos e feiticeiros deixariam os meandros clandestinos e o esteriótipo insano, seria a magia posta como um fato, mas a "Igreja" corrompeu esses conceitos e criaram geradores alimentados por energia física e metafísica, criaram Androids colossais, denominados "Arcanjos", capazes de dizimar um exercito humano inteiro , somente com um de seus pulsos de energia.
Não há como usar magia , eles infectaram os elementos, Nanoparasitas foram disseminados na realidade, não há como vibrar uma só molécula, não há como manifestar e conduzir as energias primordiais, impossibilitando a formação da Quiméra e a interação com outros planos , essas micro-criaturas possuem receptores que notificam os "Arcanjos e anjos" da Ordem Celeste imediatamente e os mesmos atacam com ferocidade, matando os seres orgânicos e destruindo os androids de preservação metafísica: técno-receptáculos das almas de muitos irmãos que conseguimos salvar do mais terrivel dos Arcanjos, aquele responsável por absorver as almas e sugar as informações, conhecimentos, assimilando as consciências psíquicas à dele, nos o batizamos de Necroniel. Estou atravessando o oceano, longe de Atlantida, Posseidon é uma das ultimas Consciências superiores existentes, o forte escudo Atlantis está resistindo às investidas dos Cardeais devido a forte egrégora milenar sintetizada pelos Hidranianos, eles continuam a atacar a redoma com o intuito de absorver Posseidon e obter o seu tridente.


















Os Cardeais: Aqueles que começaram essa loucura, quando Ethérea: O dispositivo de mapeamento multiversal foi ligado, a realidade tornou-se mais suscetível às interações metafísicas/mágicas, trazendo uma nova era mística ao planeta, as capacidades psíquicas latentes que só eram despertadas por meros instantes por aqueles mais desenvolvidos mental/espiritualmente, tornaram-se permanentes, causando surtos paranormais, disturbios daqueles que não sabiam como controlar suas habilidades. A Ordem Celeste já estava disseminando na massa, uma ideologia pré-apocalíptica, alertando sobre tudo que estava acontecendo, como o sinal do fim dos tempos, afirmando a grande guerra entre o bem e o mal que estava se aproximando, eles sabiam que ao ligar Ethérea e a consequente evolução psíquica humana, os Deuses que tanto nos ajudaram a evoluir, deduziriam que estariamos preparados para o regressar deles, foi quando o pior aconteceu, toda humanidade entrou em Caos quando os Guardiões do universo regressaram , o pânico dominou a massa e a Ordem Celeste liberou os Arcanjos e os mesmos absorveram muitos seres divinos, e com sua potência expandida, investiram nos mais poderosos e sucumbiram as cortes celestiais, poucos deuses sobreviveram, evacuaram suas regiões colonizadas , levaram as centelhas divinas de seus descendentes humanos para seus planos, outros ficaram: Posseidon está em Atlantida, os Olimpianos tiveram grandes baixas, bravos Deuses, Zeus foi parcialmente absorvido, Hera e Hermes estão em constante vigilância, tentando restabelecer a existência do Supremo Deus do Olimpo. Odin e os Asgardianos foram exilados, os cardeais usaram Ethérea para interferir na telurica universal, impedindo dobras de espaço-tempo, eles ainda não conseguiram contornar essa situação, os Dogons e o povo de Orum estão defendo a Africa com toda força em aliança com os Deuses Egipcios, Thot está trabalhando num dispositivo que anule o controle dos Cardeais sobre os Arcanjos, Os Magos do Caos sintetizaram Colossos de pura energia psiquica que conseguem combater e resistir aos Arcanjos, parece que nossos amigos "Imaginatus" são uma das grandes esperanças... Parece que os Lords do Caos estão no Tibet, Buda perdeu a serenidade, está sendo contido e os lords estão usando a sua ultra emanação de Ódio universal para criar Colossos que podem ser uma grande chave para a vitória.Nada sabe-se dos mundos subterraneos, Hecate selou os portões do Tártaro. Os seres de Edon não podem vir pro plano físico, com a realidade em constante vigilância por Ethérea, os mesmos seriam absorvidos rapidamente.
Quertzalcoalt, Avô-trovão e Tupã fundiram-se, provocando uma tempestade colossal, cubrindo toda América, o eletromagnetismo afastou os nano-parasitas, mas custou o sacrificio dos grandes Deuses das tempestades, parece que a América é segura por enquanto, estou tentando contato com Xamãs, parecem que eles conseguem conduzir os relampagos e produzir uma brecha segura para entrar na América, só através dos xamãs consegue-se entrada para o única parte segura até agora , muitos estão refugiados, elementais responsáveis pelo equilibrio da natureza e Deuses pacifistas, estão em constante focalização, emanando energia para os Deuses parcialmente absorvidos pelos Arcanjos da Ordem celeste. Perdi contato com as minhas forças guardiãs a muito tempo, espero que minha mãe Innana esteja lá, é uma honra poder conhece-la , honra-la frente a frente, fora das visões e manifestações inter-dimensionais de baixa interação, creio que eu seja a ultima Sacerdotisa de Innana e não vou deixar minha alma ser destruída, o culto de minha Deusa ser perdido, jamais!!!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Vodu/Vudu/Voodoo ...




"O Vodu tem como característica fundamental, o culto dos antepassados, o respeito dos seus seguidores por aqueles que são responsáveis pela sua existência atual."

Vodu: Palavra que tem sua origem no dialeto Congo, possuindo um mesmo significado que o termo Loa, ambas palavras possuem traduções similares, definindo um ser espiritual, um ancestral divino, conectado com aspectos primordiais da natureza e princípios abstratos da realidade. Por muito tempo as pessoas estabeleceram uma conexão entre a palavra Vodu/Vudu/Voodoo com os singelos bonecos feitos com pedaços de pano e fibras vegetais, o mesmo é na verdade chamado Gingim, um artefato usado de diversas formas, tendo muitas funcionalidades diferentes dentro da tradição Vodu atráves dos tempos. O Gingim pode ser usado como um foco imaginista, representando uma entidade, espírito inespecifico ou até uma Divindade do panteão citado. O singelo boneco, pode ser confeccionado com intenções benéficas, representando uma pessoa, para que você possa abençoá-la a distância, promovendo intenções especializadas, como a cura, proteção e mudanças positivas de comportamento.
A crença vudu possue um sentido dualista de conduta, comportamento e interação dos espíritos , possuindo uma divisão criteriosa entre seus Deuses e castas espirituais, tendo como principio de organização, as características da natureza . Dentro da crença, existe uma organização de Deuses e espíritos que tem como intenção primordial, a promoção de práticas que acarretem a evolução, cura e mudança comportamental positiva dos adeptos e crentes sem vinculo hierárquico com a crença, esses seres são denominados "Radas". O mais interessante dessa divisão, é que mesmo sendo Deuses e espíritos dessa casta positivista, eles não se abstém de tomar atitudes severas, punindo e doutrinando seus respectivos adeptos quando há necessidade. A outra casta de via comportamental inconstante e muito peculiar, são denominados "Petros", são espíritos agressivos, violentos e impiedosos, tendo um senso de justiça mutável, interagindo com intervenções mágicas inconsequentes, injustas, contraventoras, tais espíritos , são ditos como sombrios e representantes de aspectos negativos da realidade humana, tal como o ódio, vingança e inveja, mas, também existem aqueles que representam os arquétipos selvagens da natureza, sendo representados como animais ou seres sinistros sem identidade,com partes da estrutura corpotal disforme e por muitas vezes, representados com máscaras idependente da variação iconográfica humana ou animal. Desprovidos de morais que estabeleçam um senso de humanidade são os espíritos habitantes das partes mais densas das florestas, das profundezas das cavernas, representam os perigos da natureza e os aspectos negativos da psique.
É afirmado que o famoso procedimento, usando agulhas em um Gingim é proveniente do culto aos "Petros", com o intuito de causar uma alteração na realidade, causando danos reais no ser representado pelo boneco. É importante dizer que existe uma similaridade incrivel na forma de culto, elementos integrados às oferendas dos espíritos e Divindades,tal como a oferenda de sangue, presente nos dois seguimentos, algumas vezes é bastante notório, a presença de um mesmo ser nos dois cultos, atestando o dualismo comportamental, sendo seres completos, representantes dos aspectos positivos e negativos de sua integridade correlacionada à propriedades naturais.








Papa Legba

Divindade importantíssima do panteão Vodu, culto originário da cidade de Fon, em Benin, onde o mesmo é chamado de Legba, um Vodun/Vodu da fertilidade, cruzamentos, estradas. Divindade que preside o destino e as possibilidades de mudanças do mesmo. É o Deus do príncipio e fim, sendo reverenciado a cada começo e termino dos cultos Vodu, é representado iconograficamente como um velho com uma bengala em forma de chave, afirmando sua autoridade sobre os caminhos e questões ligadas ao destino e suas mudanças, também e representado pela imagem de São Pedro, sendo o porteiro do Céu e detentor da chave do reino Celestial, se encaixa perfeitamente com a figura de Papa Legba, ele sendo a Divindade que faz a conexão/União entre os mundos, por isso o seu culto é de muita importância, pois, segundo as tradições Vodu, sem a benção e abertura dos portais feita por Papa Legba, não há conexão entre os humanos e os Loas ou entre os mesmos e os espíritos de casta inferior.
Veve de Papa Legba





















Damballah Wedo

Muito popular, devido aos filmes que representaram essa Divindade Vodu. Divindade da criação, sendo o arauto do criador , é aquele que criou a realidade física, O Deus/Deusa da pureza e todas as riquezas existentes, é um dos principais cultos vOdu. representa a vida e todas as transformações do ciclo existêncial, tem como consorte a Deusa Ayda Wedo, também é representada como uma serpente, diz a lenda que ela surgiu de um arco-iris criado por Damballah que apaixonou-se automaticamente pela Deusa. Damballah é cultuado por muitas iconográficas diferentes, tal como a de São Patrício.








Erzulie Dantor

A Madona negra, uma Deusa Vodu de comportamento guerreiro e super protetor, tendo como característica comportamental bem evidente, o feminismo e o protecionismo, representada como uma guerreira com diversas marcas tribais pelo corpo e uma em seu rosto, uma adaga em uma das mãos e uma criança em seu colo, simbolos de sua bravura e ações contra aqueles que tentam contra seus protegidos e ao mesmo tempo, a criança representando sua atenção, zelo e doçura com aqueles que depositam fé em sua providência Divina. É o principal culto divino feminino dentro do panteão Vodu, é a Deusa do amor seja de qualquer forma, é a reconhecida como a matrona das lésbicas dentro dos conceitos espirituais relacionados a ela.


Veve de Erzulie Dantor


















Ogoun

Deus Vodu da guerra, ferro e artes manuais, possue um forte culto no Haiti, é dito que ele foi o Loa responsável pela revolução Haitíana, sendo ele o Loa invocado no mítico ritual práticado pelos lideres rebeldes, denominado "Pacto de Ogoun" .






Barão Samedi/Barão Lacroix

Em lendas mais antigas é considerado como o espírito de um corsário que chegou no Haiti em tempos antigos e depois de sua transcendência foi consagrado como o Loa dos cemitérios e senhor da morte. Samedi segundo o culto, preside os caminhos e o destino, tem características de culto, iconográfia muito similares a de Papa Legba, sendo considerado uma de suas manifestações naquela terra. Samedi representa as inverções de fatores e total dominio sobre as possibilidades, age com fins benéficos ou maléficos, rege as ruas, a malandragem e criminalidade, é o senhor da noite e todos os seus benefícios e prejuizos, preside com sua mulher, Mama Brigite, os principais ritos de feitiçaria do culto, sendo loas com a função de conexão entre os mundos, são manipuladores de espíritos, comandantes das falanges ancestrais, são os ministros do culto aos antepassados. É representado como um homem negro com vestes vitorianas, uma bengala ornamentada de ossos e uma pintura facial representando a face de um crânio, aspecto iconográfico dando total entender de sua ligação com os mortos, sendo ele o representante e regente dos mesmos.
Veve de Barão Samedi





















Mama Brigitte

Esposa de Barão Samedi, segundo os misteriosos contos, chegou com ele ao Haiti. Mulher branca e bem vestida, considerada como uma feiticeira muito poderosa, depois de sua morte, foi consagrada como a Loa dos cemitérios e da feitiçaria, existem características que a ligam com a Deusa celtica com o mesmo nome, aspectos de culto, como a forte ligação com o fogo e ritos funerários. Existem lendas, admitindo o fato que o primeira mulher enterrada em solo haitiano foi Mama Brigite, dando princípio ao culto aos mortos e zelo para com os antepassados, representados pelos ossos que um dia foram eles, segundo mitos, a sabedoria do casal, foi responsável pela mudança de comportamento mediante as práticas realizadas com os corpos, outrora jogados ao mar ou cremados, a partir da passagem desses "Deuses encarnados", começou o extenso e complexo culto Haitiano aos espíritos ancestrais, que já havia uma tradição proveniente de suas raízes africanas, mas determinados conceitos foram mudando com o passar dos tempos e esse mito sobre a passagem do casal que rege a morte e os mortos representa essa mudança na tradição.
Veve de Mama Brigitte






















Kissimbi

São o grupo de Loas ofídicos do Vodu, com origem nos cultos angoleses e Congo.
Simbi-Dlo: Loa serpente das águas doces , rege a criatividade, paciência
Simbi-Makaya
Dita como a serpente feiticeira, habitante dos rios e mares, é um Loa temido e com um culto muito restrito, é um simbi de aspecto sombrio e muito pouco cultuado.











Agou/Agwe

Chamado de "Netuno Vodu" é o Loa dos mares e tudo que a nele, está entre os cultos menos evidenciados, logicamente, sendo o Loa do mar, rege os aspectos férteis e destrutivos do mesmo, sendo o Haiti uma ilha, o temor sobre esse espírito é alto, tornando seu rito muito restrito e secreto. É representado tendo cabelos e barba branca, metade homem metade peixe, muitas vezes representado como o capitão de um navio, com vestes características.
Veve de Agou/Agwe

domingo, 1 de julho de 2012

Lembranças de Brigith ....



A muito tempo atrás, fui a mais linda das feiticeiras, a tanto tempo que mau consigo lembrar da maioria dos fatos. Desde muito pequena, sempre fui tomada por uma grande curiosidade por tudo a minha volta, minha mãe era uma curandeira, seu nome era Brid"yn, uma mulher bondosa, sempre disposta a ajudar a todos com seus cuidados, preparados, chás, auxiliando os feridos, dando de comer aos necessitados, abençoando colheitas e mais colheitas, pedindo a Deusa de nosso sangue, a divina Cybele que fizesse os grãos plantados crescerem com força e muita sustância, minha mãe convocava os daemons da terra, para afastar as pragas que assolam os campos de cultivo. Eu sempre peregrinava com a minha mãe por todos os cantos que ela ia, ajudando-a no que fosse preciso, desde muito pequena, por ser muito curiosa e medianamente astuta, tive facilidade de encontrar ervas pra ela, nunca temi as florestas fechadas, pedia a Deusa Cybele que afastasse seus filhos mais perigosos e sempre fui atendida, os espíritos da terra, protegiam-me com muito afinco, os animais nunca foram o maior perigo das matas fechadas, o problema sempre foram os homens, eu ainda menina, tinha um corpo muito maduro, uma altura incomum pra minha idade, tendência familiar, já deparei-me com homens maus intencionados dentro dos bosques, enquanto eu estava colhendo ervas, raízes e flores, homens engraçados, quando eles tentavam algo, eu sempre usava meu pó da feiura, eu jogava todo o preparado sobre meu rosto e ficava horripilante como pio de uma coruja.
Falando em família, eu tenho duas irmãs, a mais velha era Brigid, essa minha irmã era uma mulher difícil de se lidar, mau humorada, impetuosa e muito esquentada, ela nunca saía de casa, ela era a responsável pela nossa casa, quando minha mãe estava peregrinando pelos campos, ajudando os agricultores e enfermos, também era ela que preparava os uguentos e poções curadoras pra minha mãe, aprendi com ela, quase tudo que sei sobre ervas, como identificá-las, como colher e preparar, encantar as poções, nunca fomos muito próximas, ela era muito severa e me batia muito quando eu fazia alguma besteira, contrário da minha outra irmã, Brigida, amava minha irmã do meio com muita intensidade, a amava tanto quanto eu amava a minha própria mãe, ela era muito bonita e amável, sempre disposta a ajudar, muito parecida com nossa mãe, ela sempre me defendia das agressões de Brigid, as vezes apanhava junto comigo ou simplesmente colocava-se sobre meu corpo e tomava os golpes de vassoura por mim, não imagino por que Brigida despedaçou meu coração, traindo-me com tanta ferocidade, sempre esperei algo assim de Brigid, nunca confiei nela, eu tinha muito medo dela, mas, o destino me provou que os gritos de Brigid, eram puros e sinceros e toda bondade e protecionismo de Brigida, era parte de uma máscara que caiu por terra a muito tempo, pereceu juntou com o meu amor por ela.
Por uma de nossas viagens, nos alocamos com um coven de bruxas ao extremo sul de nossa terra, mulheres lindas que cultuavam os Deuses de nossa fé e também prestavam homenagens aos Deuses dessa terra, eram mulheres negras de cabelos lisos como os nossos, um clã que surgiu com a mistura do nosso sangue com o sangue do povo daquela terra, o que eu soube na época, é que devido a uma antiga guerra, muitas famílias foram banidas de nossa terra peregrinaram para esta e copularam com eles, era uma terra linda, perto do mar e com rios maravilhosos, plantas fascinantes, trabalhei muito colhendo para minha mãe, minha curiosidade era grande , mas , a de minha mãe era maior, enquanto ficamos naquele reino, ela trabalhou duro, abençoando cultivos, rebanhos e estudando toda aquela imensidão de plantas diferentes, com efeitos poderosos, logo ela fez uma grande amizade com a líder matriarcal daquele clã, a mulher que enviou um mensageiro, pedindo a ida de minha mãe aos seus reinos, elas conversavam muito tempo, sobre os dons, feitiços, sobre encantos e maldições, quando o assunto era as plantas, eu dormia acordava e elas ainda estavam lá, conversando e bebendo aquele vinho horroroso que eu odiei, feito da seiva de uma árvore enorme, chamada palma. Samantha era seu nome, também chamada de " a cobra", a líder espiritual de seu povo, uma mulher rígida, de olhar hipnótico, sua deusa era Aida Wedo, Deusa serpente, ela também cultuava uma antiga Deusa de nossa terra, Eurinome, quando minha mãe viu uma a gigantesca imagem dourada, no meio de uma densa floresta que Samantha a levou, chorou e sorriu intensamente, expressando profunda emoção, hoje eu sei, ela por muito tempo, pensou que o culto de sua avó divina, tinha sido perdido, agradeceu as senhoras do destino por ter a oportunidade de conhecer os louvores e tradições daquele culto divino.
Foi nesse momento que eu conheci o amor da minha vida, um corsário de pele negra e brilhante, corpo vigoroso, era o sobrinho de Samantha, filho de um de seus finados irmãos, era um ladino dos mares, desembarcou justamente no dia que eu vi aquele mar pela primeira vez, me apaixonei no mesmo instante, eu estava de joelhos, rezando para Afrodite à beira mar, a bela Deusa do amor atendeu o meu pedindo tão rápida quanto um relâmpago e das espumas que surgiu a Deusa do amor, surgiu o amor da minha vida. Depois de todos a conversas e festividades, minha mãe cumpriu a sua missão, pois a antiga curandeira havia falecido e não havia nascido outra irmã com tais dons, por isso minha mãe foi requisitada com tanta urgência, a viagem de volta a nossa casa seria mais longa, por que minha mãe resolveu visitar as gêmeas Laxis e Nera, Samantha tomando conhecimento do fato, nos acompanhou nesta viagem, pois queria resolver alguns assuntos místicos com elas. Eram as rainhas do clã mais antigo dentre todos que conheci, Samantha, sua irmã Zulah e minha mãe, tinham grande respeito por elas e sempre a consultavam nos momentos mais delicados, ligados a questões mágicas. O amor da minha vida veio junto conosco, no grupo de guerreiros dispostos a sacrificar suas vidas para nos proteger, eu passei toda viagem na carroça de conservas e potes com especiárias, perdi a conta de tantas conservas quebradas por minha desatenção, admirando-o por toda a viagem, minha mãe e Samantha seguiam em cavalos e observaram tudo, rindo de meu jeito desajeitado e amor platônico, ele sempre muito sério e respeitoso, evitava ao máximo olhar-me , as vezes eu percebia seus pensamentos focados em mim, isso era motivo de mais e mais suspiros de minha parte, completamente embasbacada pelo amor.
Depois de muito tempo de viagem, nos aproximamos das montanhas que anunciavam a nossa chegada, pegamos a estrada que levava à floresta onde habitava o clã das filhas da luz e das sombras, na primeira encruzilhada, minha mãe pegou um dos animais que trouxemos, um lindo coelho negro, juntamente com Samantha e Zulah, louvaram a Pritânnia, a dona das estradas, agradecendo a pacifica viagem, romperam o pescoço do animal e puseram o sangue no cálice de pedra , fixo no altar a beira do cruzamento, eu, como sempre curiosa , observei tudo, não gostava de ver animais serem mortos, mas, pelos Deuses e nossas tradições, nos adaptamos a tudo. As três mulheres, minha mãe era uma delas, recitaram palavras que eu nunca tinha ouvido, os guerreiros ficaram de joelhos e eu me escondi atrás da carroça, elas estavam fazendo magia, magia de verdade, daquelas que fazem as coisas mais estranhas acontecerem, animais falarem, tempestades surgirem do nada, ou uma frágil mulher se transformar numa besta sanguinária, naquela época eu tinha pavor dos "Encantus", a arte mais preciosa dentre os escolhidos da inominável senhora da eternidade, o ato de fé mais poderoso, quando a vontade do ser, altera as coisas do mundo de acordo com o seu desejo. A encruzilhada tremeu tanto quanto minhas pernas, e do nada, surgiu um portal de pura madeira com símbolos desconhecidos por mim na época, Samantha virou-se e tirou minha duvida, acho que ela leu meus pensamentos naquele momento, disse que seria inútil entrar naquela floresta, pois o reino de Laxis e Nera não era ali e sim entre aquele local e o outro mundo, foi algo fascinante, a minha primeira viagem pra fora desse mundo, eu fiquei eufórica! Só lamentei pelo meu amor, não pode seguir conosco, pois ele ficou vigiando o portal, para que algum clã inimigo não se aproveitasse do momento pra invadir o reino de Mella'beth, uma vez aberto por uma trindade de bruxas, só pode ser fechado pela mesma trindade, como diz a tradição, as sacerdotisas gêmeas podem fechar ou abrir, por serem uma trindade, parece uma loucura, mas, hoje eu sei o porque desse fato, mas elas seguem a tradição e só fariam isso numa extrema necessidade.

sábado, 16 de junho de 2012

Nascimento,morte e ressurgir do sangue Mella'beth





1561. Itália,Triora. La cabotina ... Culto das antigas Stregas.



O nascimento de Samira e Samara.



Sarah, da casa do norte, senhora dos ventos menssageiros, 'A Pomba ' enfraquecida pela perca de sangue, envolta de complicações físicas e espirituais, perde a consciência em razão das fortes dores e sibilações no decorrer do parto, grande responsabilidade foi deixada em seus ombros, gerar às gêmeas que um dia farão ressurgir os conceitos mágicos de seu sangue. As ançiãs de Triora sussuram presságios provindos do Caos pulsante em suas veias, são possuídas coletivamente por forças além da compreensão, as senhoras, representantes da experiência e sabedoria dos caminhos que percorreram, balbuciam a linguagem serpentina que a muito tempo não era proferida entre as árvores sagradas de Triora, tal floresta que tanto protegeu as filhas do velho ofício, é tocada por um forte sopro que parece movimentar folha por folha daquela antiga região. Ao longe, os lobos habitantes das profundas e misterioras cavernas, somente frequentadas por aquelas que honram aos senhores do submundo parecem reagir às palavras das senhoras, eles respondem com longos uivos, como uma sinfonia funesta, provinda dos reinos abissais e levadas até o horizonte pelos ventos.



 

Agonizante é o estado de Sarah, seus cabelos brancos são manchados por suas mãos desesperadas, ao tocar o seu ventre, banha seus dedos com o sacro sangue de sua vagina, ela parece lutar dentro de si, movimentando seu rosto e tocando suas temporas, pedindo piedade para os antigos espíritos da vida. As mulheres presentes despejam lágrimas inesgotáveis, o martírio de Sarah parece não ter fim, as seguidoras do culto, habitantes das florestas densas, estão temerosas por aquela que tanto ajudou a elas, guiou e iluminou suas iguais, temendo a possibilidade de perder a grande rainha da luz, a filha do divino gamo, o puro esplendor de tudo que é vital, pai do sangue e do fogo, senhor da luz vista além do portão que divide os mundos.



 

Ela permanece dentro do pentagrama  de Venus, traçado numa encruzilhada de Pritânnia no coração da Floresta de fortes árvores que parecem dançar com os ventos, tal dança liberta as flores que parecem migrar para o epicentro mágico do destino, cobrindo o evento regado com sofrimento e agonia com pétalas de pura beleza e magia. Azaleias parecem desviar dos troncos, guiadas pelo sopro noturno, planando em volta das mulheres , circundando a ocasião, muitas caem nos cabelos de Sarah e parecem secá-lo, passam com o vento, tocando levemente o seu rosto, como um gesto de carinho provindo da própria mãe natureza.



 

Há uma mulher robusta presente, cabelos curtos e encaracolados, com um vestido cor laranja e um xale marrom, está entre as pernas firmes da sofrida mãe, pernas posicionadas com rigidez, como pilares fincados ao chão, permanece completamente concentrada no seu papel, massageando o ventre materno, esperando ansiosamente pelo termino daquele parto. Mulher de idade considerável, rosto largo e boca torta, sempre com um sorriso em seu rosto, diminuindo o defeito de seus lábios, há uma outra mulher que não compartilha das características das demais, mulher de curtos cabelos negros, e pele branca como lírio, uma postura feminina sensual e misteriosa, dentre todas naquele momento mágico, foi a única que não derramou lágrimas em seu rosto, usando roupas sem recheios ou protuberâncias, parece ser alguém de terras distantes que não compartilha com os costumes locais, mas possui a mesma ligação com o acontecimento.


 

 

Olhos brilhantes pairam envolta do cruzamento, tão reluzentes quanto as luzes dos lampiões. Sarah cessa seus gritos e tem um momento de alívio, parece estar num estado de repleta paz, nesse momento, a primeira criança surge entre suas pernas, uma menina de olhos tão brilhantes quanto o fogo, cabelos loiros, a mulher corpulenta a pega pelos braços e a mostra para as outras, num gesto de felicidade, as senhoras deixam de sussurrar e gritam em extrema alegria, o vento torna-se mais suave e ainda muito presente, os olhares sinistros provindos da escuridão desaparecem e o lugar e tomado pelo brilho dos vagalumes, borboletas brotam de todos os quadrantes, todas alvas como o pelo de um cordeiro, voando de maneira circular, cortejando aquele nascimento, parecem admirar a criança, a mesma chora suavemente. Fortes galopes são ouvidos, da escuridão, aparecem cervos com flores em suas bocas, deixadas ao redor da encruzilhada, parecem compreender, parecem respeitar a menina.



 

Sarah volta a gritar desesperadamente, dores tão fortes que a fazem tentar levantar, logo contida pelas mulheres envolvidas, neste momento, parece sentir algo bem mais avassalador do que a própria dor, suas lágrimas percorrem seu rosto, lágrimas vermelhas, ela muda seu humor e começa a sorrir, seu semblante modifica, ela gargalha insanamente, olhando para a parteira, ela levanta subitamente e enforca a mulher com umas de suas mãos, a mulher de cabelos curtos e negros, pela primeira vez, adentra no circulo e poe-se de joelhos rapidamente, puxando uma adaga guardada em sua cintura, usando-a, ela corta a palma de sua mão e com aquele sangue, escreve um simbolo na testa de Sarah, a mesma empunha seu bastão e o finca no chão, todas as mulheres ficam de joelhos, perante aquele ato. Os lobos uivam freneticamente, o clamor lupino está cada vez mais próximo, os olhares sinistros retornam a surgir das trevas. Uma vasta imensidão negra, circunda o acontecido, uma torrente de olhares abunda nas sombras; Um “mar” de morcegos toma toda a floresta, atacando as borboletas, com elas entre seus dentes, eles circundam a encruzilhada e guincham, algo insuportável de tão forte e agonizante, as mulheres tremem de medo, temendo o pior. A segunda criança não surge pelo caminho da luz, por onde a vida se propaga, Sarah parece não aguentar, ela estende sua mão esquerda para a mulher de cabelos curtos, ela segura a mão de Sarah e a poe sobre seu coração, a mesma chora, se debulha em lágrimas de dor, incessantemente, olhando para o rosto daquela mulher, totalmente fragilizada, sem forças. Sarah se ergue lentamente e a abraça, sussurrando em seu ouvido:



- Faça ! Minha irmã, meu sangue, minha vida e escuridão, minha gêmea, parte de mim. Escute-me pilar das sombras, ousa-se Rainha da escuridão, cuide de sua sobrinha e acolita, a defenda, zele por ela como fez comigo, proteja ela como sempre fez comigo em épocas passadas, ensine-a a andar entre os lobos, ensine-a a percorrer os caminhos sombrios que a Grande Senhora da eternidade escolheu pra ela.



 

Os lobos cercam-nas, tal como uma emboscada sangrenta, uivos e ranger de dentes, parecem estar furiosos e possuídos. Os morcegos soltam as borboletas mortas entre seus dentes e a Rainha da escuridão chora e grita desesperadamente, golpeando o coração de sua irmã, em seguida, corta seu ventre e observa parte de sua alma partir para além dos portões entre os mundos, ela segura sua irmã pelos braços e posiciona ao chão, uma criança surge do corte ventral, sem o auxilio da parteira, como uma serpente saindo de sua toca, todas as mulheres choram unidas, enquanto a irmã obscura sorri e chora ao mesmo tempo, observando a sobrinha ingressando ao mundo, a distinta mulher que assumiu a difícil missão homicida, rompendo o vente e peito de sua própria irmã, corta o cordão com sua adaga e ergue a pequena menina de cabelos negros ao céu, provocando uma histeria de uivos entre os lobos e fortes guinchos entre os morcegos. Ela abraça a sobrinha com muita força e a cobre com um manto negro e diz a pequena menina:



- Seu nome é Samira, sou sua tia Rouge, esse manto pertencia a sua avó, ela é a grande Rainha noturna, você é a herdeira dos poderes dela, vou ensiná-la  a ser a pior das piores, fazer de você , a minha sucessora...
 


 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

A futura Tiamat...








Haverão dias onde os esgotos não suportaram a grande maré pútrida, desencadeada por todas as ondas existenciais, humanos, onde há razão em tudo que fazem em conjunto? Só há destruição em seu senso coletivo! Nos primórdios, Gaga: vigiou a Rainha dos dragões, até que Marduk a dividisse ao meio, podemos pensar, refletir sobre um mundo onde o herói divino, não tenha usado o sangue de Kingu para a pior das criações.
Grande lástima foi assolada a este mundo, hoje chamado de Terra, ontem, ainda era Tiamat, coberta de águas límpidas, hoje é um grande mar de pensamentos, alimento cósmico, consumido pelos escravagistas além véu.
Torrentes purificadoras fluem até este lugar, seremos salvos, resgatamos, arremessados deste tempo, para espaços esquecidos, comprimidos até que o último fragmento de morte e sofrimento tenha sido extirpado do corpo que um dia foi completo. Suas asas estarão abertas e logo, será infinita novamente...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Seth, o assassino celestial ..








Seth era um Deus representado por um homem com a cabeça de um tipo incerto de animal, um animal mítico, parecido com um cachorro de focinho e orelhas compridas e cauda ereta, ou ainda com a cabeça de um bode, como esse que se vê ao lado. Às vezes portava uma lança na mão. O animal mítico em si era chamado de animal-seth ou fenekh. A divindade era identificada com muitos outros animais, incluindo o porco, o asno, o hipopótamo e o crocodilo. Deus dos trovões e das tempestades, tinha seu centro de culto na cidade de Ombos. Fazia parte dos nove deuses principais (enéade) de Heliópolis, sendo filho do deus-Terra, Geb, e da deusa do céu, Nut. Era irmão de Osíris e seu assassino, bem como irmão de Ísis e de Néftis, de quem também era esposo. Inimigo de Hórus, o filho de Osíris, era também, segundo algumas versões do mito, o pai do deus Anúbis, cuja mãe era Néftis. Esse deus já nascera de forma conturbada pois, segundo a lenda egípcia narrada pelo historiador grego Plutarco (c. 50 a 125 d.C.), veio ao mundo não no seu devido tempo nem pelo caminho ordinário, senão lançando-se através do flanco materno, que abriu e rasgou dando-lhe um terrível golpe.

Embora inicialmente fosse um Deus benéfico e tenha sido venerado como senhor do Alto Egito durante as primeiras dinastias, com o passar do tempo tornou-se a personificação do mal, um ser que ameaçava periodicamente a ordem cósmica. Tornou-se uma divindade popular no delta oriental por sua semelhança com o deus sírio Baal e os invasores hicsos (c. 1640 a 1532 a.C.) tiveram nele o seu deus protetor. Foi identificado pelos gregos com Tífon.

O Deus Seth, nos conta o egiptólogo Wallis Budge — foi considerado, num período muito primitivo, irmão e amigo de Hórus, o antigo. Seth representava a noite, ao passo que Hórus representava o dia. Cada um desses deuses executou muitos serviços de natureza amistosa para os mortos e, entre outros, ergueu e segurou a escada pela qual os falecidos subiam desta terra para o céu, ajudando-os a escalá-la. Num período subseqüente, todavia, as opiniões dos egípcios no que diz respeito a Seth se modificaram e, logo depois do reinado dos reis chamados Seti, isto é, aqueles cujos nomes tinham por base o nome do deus, tornou-se a personificação de todo o mal, de tudo o que é horrível e terrível na natureza, como, por exemplo, o deserto em sua mais desolada forma, a borrasca e a tempestade, etc.

Como potência da natureza, estava sempre em guerra com Hórus, o antigo, ou seja, a noite estava sempre em guerra com o dia em busca da supremacia. (...) Quando Hórus, filho de Ísis, cresceu, lutou com Seth, que assassinara Osíris, seu pai, e venceu-o; em inúmeros textos, as duas lutas, originalmente distintas, se confundem, como também se confundem os dois deuses Hórus. A vitória de Hórus sobre Seth no primeiro conflito significava apenas a vitória do dia sobre a noite, mas a derrota de Seth no segundo parece ter sido entendida como a vitória da vida sobre a morte, do bem sobre o mal. (...) As figuras do deus não são comuns, visto que os egípcios as destruíram, em sua maioria, quando mudaram de opinião a respeito dele — conclui o autor.

Por personificar o deserto, Seth tinha os cabelos vermelhos, da cor daquela terra rochosa e árida. E não só representa o deserto, como também as feras que parecem sair dele. Por analogia, o asno, animal de pêlo vermelho, estúpido e lúbrico, era considerado um animal de Seth, ou seja, um animal impuro e possuído por um mau espírito. Segundo o historiador grego Plutarco (c. 50 a 125 d.C.), os egípcios tentavam acalmar essa divindade através de sacrifícios. Os habitantes de Koptos, capital do 5.º nomo do Alto Egito, por exemplo, precipitavam um asno das alturas de um precipício. Por todo o país, nas ofertas solenes que faziam no segundo e no décimo meses do ano egípcio, amassavam tortas sobre as quais imprimiam uma marca na qual se via a figura de um asno acorrentado. Nos sacrifícios que ofereciam ao Sol, transmitiam aos adoradores do astro a ordem de não levar consigo objetos de ouro e não dar de comer a um asno. Os moradores de Abido e de Busíris jamais empregavam trombetas e tinham horror ao seu som, porque lhes lembrava o zurrar do asno. É sacrilégio — diz Plutarco — entre os egípcios, dar ouvidos ao som da trombeta, porque se parece ao zurro, e este animal é mal visto entre eles por causa de Seth. Pelo mesmo fato de acreditarem que Seth é vermelho, sacrificavam-lhe bois dessa cor — acrescenta ainda Plutarco observando tão escrupulosamente tal prescrição que se o animal possui um só pêlo negro ou branco, julgam-no indigno de ser imolado.

O historiador grego Heródoto afirma o mesmo: Se no boi que se vai imolar descobre-se um único pêlo negro, ele é declarado impuro. Um dos sacerdotes tem a seu cargo este exame, e para efetuá-lo o boi lhe é apresentado em pé, mas logo é obrigado a deitar-se de barriga para cima. Fazem-no tirar para fora a língua para verificar se ela está isenta das marcas a que aludem os livros sagrados. Finalmente, examinam os pelos da cauda, para ver se crescem naturalmente. Se o boi é tido como puro sob todos os aspectos, o sacerdote marca-o colocando cortiça de papiro ao redor de seus chifres; sobre ela o sacerdote coloca barro tenro e aplica seu selo, pois é proibido, sob pena de morte, sacrificar um boi que não possua essa marca.

Os bois puros de que fala Heródoto, ou seja, os adequados para o sacrifício, eram aqueles nos quais não apareciam os sinais sagrados dos que serviam para distinguir os bois Ápis ou Mnévis. Os selos que os sacerdotes aplicavam sobre o barro levavam gravada a efígie de um homem caído de joelhos, com as mãos atadas às costas e uma espada sob a garganta. Isso talvez fosse a lembrança de um tempo muito antigo no qual o sacrifício não se fazia por substituição, mas se imolava um homem ritualmente. Posteriormente o próprio Rá, dizem os papiros egípcios, substituiu a vítima nos sacrifícios, imolando uma besta ao invés de uma pessoa.

Heródoto prossegue narrando como se procedia o sacrifício: Conduz-se o animal assim marcado ao altar onde deve ser imolado; acende-se o fogo; espalha-se vinho sobre o altar, perto da vítima, que é, então, estrangulada, depois de se haver invocado o deus. Corta-se-lhe, em seguida, a cabeça, profere-se toda sorte de imprecações sobre ela, após o que é levada ao mercado e vendida a qualquer negociante grego, ou, em caso contrário, atirada ao rio. Entre as imprecações a que nos referimos, os que ofereceram o sacrifício pedem aos deuses para conjurar todas as desgraças que possam cair sobre o Egito ou sobre eles, desviando-as para aquela cabeça.

Havia ainda outro animal relacionado ao deus Seth: o porco. Heródoto nos diz que os egípcios consideravam os porcos como animais imundos. A tal ponto, que se alguém tocasse inadvertidamente em um deles, ainda que de leve, corria para mergulhar no rio, mesmo vestido. E acrescenta: Os guardadores de porcos, embora egípcios de nascença, são os únicos que não podem entrar em nenhum templo do Egito. Ninguém lhes quer dar as filhas em casamento, nem desposar as filhas deles. São, por isso, obrigados a casar-se entre eles, isto é, com gente da mesma categoria. Uma vez que não consumiam a carne de porco, os egípcios utilizavam manadas desses animais durante o plantio para enterrarem as sementes de milho. A matança de porcos só era permitida para ofertá-los em sacrifício à lua ou a Osíris, quando então a carne do animal era consumida.

Talvez a aversão ao porco estivesse ligada a questões de higiene, mas mitologicamente está relacionada com a briga entre Seth e Hórus. Numa passagem do Livro dos Mortos conta-se uma lenda segundo a qual, em tempos muito remotos, Seth, assumindo a forma de um porco preto, aproximou-se de Hórus que, ao fitá-lo, sentiu-se como se tivesse recebido um golpe na vista. O fato ocorreu numa cidade do delta do Nilo chamada Pe. Rá ordenou que colocassem o deus ferido num quarto e nomeou duas outras divindades para montar-lhe guarda. Wallis Budge comenta: A lenda refere-se, sem dúvida, a uma grande tempestade que caiu sobre Pe, quando as nuvens obscureceram o céu, e rugiram trovões, e fuzilaram relâmpagos, e desabaram torrentes de chuva. Durante a tormenta, Hórus foi atingido nos olhos por um raio, ou abatido por um relâmpago e, quando a borrasca passou, Rá nomeou dois de seus filhos para "fazer florir a terra" e destruir as nuvens e a chuva que ameaçavam a cidade. Seth também aparece como porco no mito de Osíris. Quando Ísis foge para o delta para garantir a segurança de seu filho Hórus, ela assume a forma de um pássaro e fica vigiando para ver se o violento monstro Seth, o porco selvagem, aparece. Em versões muito antigas dessa história, Osíris é morto por Seth sob a forma de um porco ou javali. Sacrifícios desses animais era, portanto, um ato de vingança inflingido ao assassino de Osíris que assumiu a forma de um porco negro.

Seth ainda era venerado sob a forma de crocodilo no templo de Kom Ombos, no sul do Egito, e na cidade de Avaris, a capital dos invasores hicsos. Nessa última região ele já vinha sendo adorado por sucessivos reis da XIII dinastia (c. 1783 a 1640 a.C.), antes da chegada dos hicsos. Com a vinda dos conquistadores, Seth acabou sendo assimilado ao deus hicso Baal e, sob o nome de Sutekh, seu culto fortificou-se. Um dos governantes estrangeiros, Apophis (c. 1585 a 1542 a.C.), fez de Seth a sua divindade pessoal e vangloriou-se de não servir a nenhum outro deus na terra a não ser ele. Ao lado de seu palácio construiu um maravilhoso templo em honra de Seth e ali comparecia diariamente para oferecer sacrifícios à deidade. Quando os hicsos foram expulsos, a veneração de Seth prosseguiu no delta oriental. Durante o reinado de Aquenaton (c. 1353 a 1335 a.C.), o faraó que estabeleceu o culto de uma única divindade, Aton, a devoção a Seth teve que ser mantida secreta. Mas no reinado de Haremhab (c. 1319 a 1307 a.C.) ela retornou com a construção de um enorme templo em Avaris. Os faraós que sucederam a Haremhab, ou seja, Ramsés I (c. 1307 a 1306 a.C.), Seti I (c. 1306 a 1290 a.C.) e Ramsés II (c. 1290 a 1224 a.C.) eram devotos de Seth. Esse último faraó, no 34.º ano de seu reinado, erigiu uma pedra comemorativa, conhecida como A Estela dos 400 Anos, na qual proclama a veneração de Seth pelos ancestrais imediatos do rei e marca os 400 anos do reinado da divindade no delta oriental.


Fonte: http://www.fascinioegito.sh06.com/bode.htm